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INVOCAÇÃO DO MAL - SAGA REVIEW

Invocando.

Texto: M.V.Pacheco

Revisão: Thais A.F. Melo


Hoje, vamos entrar no mundo assustadoramente real dos filmes: Annabelle, Invocação do Mal e Amityville. E vamos fazer isto através de duas figuras ímpares: Ed e Lorraine Warren.

Edward Warren Miney nasceu em 7 de setembro de 1926 e cresceu em uma "casa assombrada" em Connecticut da idade de cinco até os doze anos. Sua família, especialmente seu pai que era policial na época, sempre dizia que tudo o que acontecia lá devia ter uma explicação lógica. 

Mesmo quando Edward acordava às 3 da manhã com a porta do armário abrindo e saindo uma bola de luz que se transformava em uma senhora idosa que esfriava o quarto todo, o cercando com uma respiração ofegante e passos pesados, enquanto ele repetia para si: “Existe uma explicação para isso Ed”. Edward foi um veterano da Marinha na Segunda Guerra Mundial e ex-oficial de policia até que se tornou um pintor, autodidata, autoproclamado especialista em demonologia, autor, e conferencista.

Já Lorraine Rita Warren nasceu em 31 de janeiro de 1927. Também teve problemas com seu “dom” por conta de estudar em um colégio católico, e aos 12 anos de idade, começou ver luzes ao redor das pessoas. Um dia disse a uma das freiras que a sua luz era mais forte que a da madre superiora. Isso lhe rendeu um castigo de três dias, sem poder falar ou brincar.

O pior é que Lorraine não podia contar o que via a seus pais, com medo que eles não entendessem ou ficassem chateados com o assunto. Guardou tudo o que via para si, até que conheceu Ed, que aos 16 anos de idade, trabalhava como porteiro no “Teatro Colonial” em Bridegport Connecticut. Lorraine e sua mãe frequentavam o local todas as quartas-feiras. Eles começaram a conversar, se tornaram amigos e em uma visita à casa de Lorraine, Ed a pediu em namoro. Eles tiveram uma filha e lhe deram o nome de Judy.

E através dos olhos deles, vamos conhecer histórias interessantes através do Invocaverso (Conjurinverse soa melhor), começando por...

🔷 Invocação do mal (2013)

É curioso notar que a primeira cena de Invocação do Mal seja com Anabelle. Isto porque foram feitos diversos filmes com os anos, mas naquele momento, este era o primeiro. Na trama, um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) muda para uma casa nova ao lado de suas cinco filhas. Inexplicavelmente, estranhos acontecimentos começam a assustar as crianças, o pai e, principalmente, a mãe.

 Preocupada com algumas manchas que aparecem em seu corpo e com uma sequência de sustos que levou, ela decide procurar um famoso casal de investigadores paranormais (Patrick Wilson e Vera Farmiga), mas eles não aceitam o convite, acreditando ser somente mais um engano de pessoas apavoradas com canos que fazem barulhos durante a noite ou coisas do gênero. 

Porém, quando eles aceitam fazer uma visita ao local, descobrem que algo muito poderoso e do mal reside ali. Agora, eles precisam descobrir o que é e o porquê daquilo tudo estar acontecendo com os membros daquela família. É quando o passado começa a revelar uma entidade demoníaca querendo continuar sua trajetória de maldades.

Baseado nos eventos ocorridos com a família Perron na cidade de Harrisville, em Rhode Island. A atriz Vera Farmiga contou com a ajuda da verdadeira médium Lorraine Warren, que auxiliou na preparação do longa-metragem.

O longa reúne o diretor James Wan e o ator Patrick Wilson, que já haviam trabalhado juntos no terror Sobrenatural. O filme anterior também trazia um casal morando em uma casa junto com espíritos do mal.

A História da Família Perron 

No inverno de 1970, Roger e Carolyn Perron compraram a residência onde pretendiam criar seus 5 filhos. A casa fora construída em um terreno muito bonito e até onde sabiam, 8 gerações da família anterior haviam vivido ali. O local dava todos os indícios de que seria o lugar perfeito para eles e seus filhos levarem a vida que sempre sonharam. 

Porém o que não lhes foi dito, é que também era uma casa repleta de dor e agonia. Muitos dos moradores anteriores haviam morrido no local e dois deles haviam se enforcado. Sendo que um deles nas vigas do celeiro. Segundo Andrea, assim que se mudaram começaram a presenciar algumas manifestações e a ver espíritos vagando pela casa. Mas até então todos benignos e alguns deles pareciam ignorar completamente a presença dos Perron na residência.

Havia um que sempre cheirava as flores, outro que dava beijos de boa noite nas crianças e até um que parecia pegar uma vassoura e varrer a residência. Claro que haviam outros tipos de manifestações típicas de uma casa assombrada, como coisas se movendo sozinhas pela casa e etc. Mas a coisa mais assustadora, era o som de algo que volta e meia se chocava contra a porta no meio da noite e que acordava a família toda. 

Ele sempre aparecia praticamente no mesmo lugar, em frente ao corredor, entre a sala de jantar e a cozinha e sempre se inclinava contra a porta. Ele tinha esse sorriso torto como se as crianças o divertissem. Assim que você o via e fazia contato visual, ele sumia. ''Todos os membros da família viam os espíritos na casa e, claro, os moradores anteriores também os tinham visto''. 

“Todo mundo que sabíamos ter vivido na casa passou por isso”, disse Perron. “Alguns fugiram correndo e gritando por suas vidas. O homem que se mudou para iniciar a restauração da casa assim que a vendemos, saiu gritando sem o seu carro, sem suas ferramentas, sem sua roupa. Ele nunca mais retornou a casa, consequentemente, os proprietários das terras adjacentes que a compraram, também nunca se mudaram e ela ficou vazia por anos.”

Porém tudo mudou quando os Perron resolveram convocar o casal Warren, para fazer uma investigação e intervir em alguns fenômenos que ocorriam dentro da casa e que estavam perturbando a família. Durante uma sessão, que deu muito errado, Ed e Lorraine acordaram uma entidade chamada Bathsheba, descrita como uma “alma esquecida por Deus”.

Segundo a lenda local, Bathsheba foi acusada de bruxaria depois que um bebê morreu misteriosamente sob seus cuidados. Uma agulha de tricô fora enfiada na base do seu crânio. Embora não houvesse provas suficientes para condenar Bathsheba de bruxaria ou assassinato, muitos moradores acreditavam que ela tinha matado a criança para honrar Satanás.

Bathsheba morreu de causas naturais aos 73 anos de idade. Há rumores de que seu corpo se transformou em pedra imediatamente após sua morte e é claro que não há nenhuma evidência para apoiar os relatos. Algumas pessoas afirmam que Bathsheba teve vários filhos e todos morreram muito novos, mas o censo registra apenas um filho, Herbert, que viveu até a vida adulta. A história ainda conta que antes de morrer, Bathsheba amaldiçoou suas terras e a todos que viessem a viver no local. Mais de 25 mortes ocorreram naquele local. Todas sob circunstâncias misteriosas.

A contagem inclui dois enforcamentos, um envenenamento, dois afogamentos e quatro casos de homens congelados até a morte. Citando um livro de registro público local, Andrea também afirma que uma menina de onze anos de idade foi estuprada e morta na propriedade, Entretanto, os registros oficiais indicam que a menina morreu de uma forma diferente. A precisão das outras mortes não é clara. Segundo Andrea Perron, Bathsheba logo se mostrou extremamente agressiva e se via como a dona da casa.

Ela sentia-se atraída por Roger, cobiçava as crianças e começou a fazer de tudo para botar Carolyn para fora da casa. Nas palavras de Perron: “O que ela fez minha mãe passar, nenhum ser humano deveria ter que suportar. Ela aparecia para vários de nós, mas eu nunca a vi. Eu via muitos dos espíritos, mas eu nunca a vi, exceto em uma espécie de estado de sonho telepático. Eu sonhava, ao mesmo tempo que ela estava aparecendo para minha mãe e a atormentando.”

Apesar de Ed e Lorraine Warren terem tentado dissipar os espíritos do mal, eles acabaram fazendo mais mal do que bem e nunca conseguiram livrar a casa do horror que os havia colocado. Um padre do Vaticano foi até a casa e segundo Perron, andou pelo local, parando em cada cômodo e murmurando suas orações. Quando saiu, o homem disse: “Sinto muito Sra. Perron. Esta casa não pode ser limpa”.

Hoje, a atual proprietária, Norma Sutcliffe, que comprou a casa em 1983, relatou que ela e seu marido Gerry, tiveram experiências paranormais na casa, incluindo a porta batendo no hall de entrada, sons de pessoas conversando em outra sala, o som de passos correndo ao redor da casa, a cadeira de seu marido começou a vibrar na sala de estudos. 

Eles também afirmam que testemunharam uma luz azul brilhante “disparar através do quarto”, uma “névoa” flutuando pelos cômodos da casa, e vibrações nas paredes tão intensas que sentiam que a casa iria desmoronar. Eles relataram também que viram uma mulher idosa, com coque no cabelo, movendo-se em silêncio por toda a casa.

A verdadeira família Perron visitou o set do filme.

Reiterando, oito gerações de famílias viveram e morreram na casa antes de os Perron se mudarem. Andrea Perron sugeriu que alguns dos espíritos das famílias nunca foram embora. As mortes incluíram dois suicídios documentados, um envenenamento, o estupro e assassinato de uma menina de 11 anos, dois afogamentos e quatro homens que morreram congelados. A maioria das mortes ocorreu dentro da família Arnold, da qual descendia Bathsheba Sherman.

O estado de Rhode Island não exige que os vendedores de imóveis divulguem histórias documentadas de atividades criminosas de um local (muito menos supostas assombrações paranormais e sobrenaturais) a potenciais compradores. É por isso que os Perrons não tinham conhecimento de todos os acontecimentos anteriores.

Andrea Perron escreveu um livro de três partes baseado em suas experiências na casa intitulado "House of Darkness, House of Light". Experiências contadas em seu livro também aparecem no filme. Perron cita o filme como uma obra de arte e não uma obra de ficção.

No ato final do filme, Ed Warren é forçado a realizar o exorcismo em Carolyn Perron. Isso nunca aconteceu na vida real (houve uma sessão com um padre presente que não resultou na libertação de ninguém da possessão) e, de fato, um leigo (não-clero) não só nunca está autorizado a realizar um exorcismo, mas também seria impossível para ele expulsar o demônio. 

Na teologia católica, são apenas os bispos que têm o poder e a autoridade para expulsar demônios em nome de Cristo. Os bispos podem delegar sacerdotes para desempenharem esta função por eles; entretanto, um indivíduo não ordenado nunca poderia realizar o ritual com sucesso. E nos casos em que leigos tentaram fazê-lo, isso resultou em danos a eles e aos possuídos. Além disso, um único exorcismo raramente é suficiente para limpar um indivíduo possuído.

Na sequência final, Lorraine Warren desliga o telefone e avisa a Ed Warren que o padre quer discutir um caso em Long Island. Esse caso é o caso Amityville, que serviu de base para Terror em Amityville (1979). E ele nos leva ao filme seguinte.

Crux Sacra Sit Mihi Lux

Non Draco Sit Mihi Dux Vade Retro Satana

Nunquam Suade Mihi Vana Sunt Mala Quae Libas

Ipse Venena Bibas 


🔷 Invocação do Mal (2016)

O caso de Amityville é tão confuso, cheio de furos e possíveis invenções que Invocação do Mal 2 fez dele apenas uma ponte, e curiosamente, usa um momento fake para apresentar-nos sua trama. Conversei com uma pessoa que viveu 20 anos morando em Amityville e ela me respondeu desta forma: "- Não é assombrado. Os assassinatos foram reais. Fim da história."

Na trama, um ano mais tarde, em 1977, a família Hodgson começa a descobrir ocorrências estranhas dentro de sua casa em Enfield, norte de Londres. Janet, a segunda filha mais velha de quatro filhos, é vista com sonambulismo e conversando em seus sonhos com uma entidade que insiste que a casa é dela. Eventualmente, todos os irmãos da casa e sua mãe Peggy testemunham eventos paranormais que ocorrem bem diante de seus olhos, forçando-os a procurar refúgio com os seus vizinhos. 

Qrealia tenta entrevistar os Hodgsons, Janet é possuída pelo espírito de Bill Wilkins, um homem mais velho que já viveu e morreu em casa, que quer reivindicar seu território. Como Janet começa a mostrar mais sinais de possessão demoníaca, a história eventualmente chega aos Warren, que são convidados a ajudar a Igreja local na investigação. Lorraine, com medo de sua visão da morte de Ed se tornar realidade, avisa para não se envolver muito no caso, e relutantemente concorda em viajar para Londres.

Mas citei o momento fake...

A foto abaixo foi supostamente tirada dentro da casa de Amityville em 1976. Tornou-se uma das fotos paranormais mais famosas de todos os tempos. Ela mostra o que parece ser um menino de olhos brancos que está saindo de uma porta. George Lutz revelou a foto do menino fantasma de Amityville no programa Merv Griffin em 1979, três anos após ter sido tirada. 

A imagem foi supostamente capturada por Gene Campbell, fotógrafo profissional que fazia parte da equipe que trabalhou com os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren. Gene montou uma câmera automática que tirou fotos infravermelhas para capturar o patamar do segundo andar durante a noite. Equipada com filme preto e branco, sua câmera captou esta foto do menino fantasma de Amityville que alguns especularam que poderia ser o fantasma da criança assassinada John Defeo.

Mas claro, décadas depois, entenderam que era um membro da própria equipe investigativa.

O caso dos poltergeists de Enfield.

Em agosto de 1977, a mãe solteira Peggy Hodgson ligou para a Polícia Metropolitana ir até sua casa alugada em Enfield, Londres, dizendo que tinha testemunhado móveis sendo movidos e que dois de seus quatro filhos ouviram sons de batidas nas paredes. As crianças incluíam Janet, de 11 anos, e Margaret, de 13. Uma policial relatou ter testemunhado uma cadeira "oscilar e deslizar", mas "não conseguiu determinar a causa do movimento". Alegações posteriores incluíam vozes incorpóreas, ruídos altos, brinquedos atirados, cadeiras viradas e crianças levitando. 

Durante um período de dezoito meses, mais de trinta pessoas, incluindo vizinhos dos Hodgsons, investigadores paranormais e jornalistas, disseram ter visto móveis pesados ​​movendo-se por conta própria, objetos sendo jogados por meio de uma sala e as irmãs parecendo levitar a vários metros de distância do chão. Muitos também ouviram e gravaram barulhos de batidas e uma voz rouca. A história foi regularmente coberta pelo jornal Daily Mirror até que as reportagens terminaram em 1979. 

A investigação de Maurice Grosse e Guy Lyon Playfair foi adaptada no filme O Show dos Kangks (2015). O caso teve uma reviravolta após as duas irmãs envolvidas admitirem ter fraudado parte da atividade. A foto de Janet levitando na cama era Janet pulando. A atriz que interpreta Janet, Madison Wolfe, é, na verdade, uma americana com sotaque inglês, tendo crescido em Nova Orleans, Louisiana, EUA. 

A prateleira onde Ed coloca o brinquedo estroboscópico no quarto de artefatos dos Warren contém uma caveira dourada invertida, que ele move para o lado. Esta caveira é o tesouro sagrado apresentado no filme Vice-Versa (1988), que faz com que os personagens do Judge Reinhold e Fred Savage troquem de corpo.

O visual de Frances O'Connor lembra a jovem Barbara Hershey quando estrelou O Enigma do Mal (1982), outro filme de terror sobre forças sobrenaturais. Hershey interpretou Lorraine Lambert, mãe de Josh Lambert, em Sobrenatural (2010). Josh Lambert foi interpretado por Patrick Wilson, que interpreta Ed Warren neste filme.

O nome do demônio "VALAK" é mostrado na casa dos Warren em três locais e aparece cinco vezes. A primeira fica ao longo da janela da cozinha, em letras coloridas recortadas, logo atrás de Ed Warren. A segunda está ao longo da borda do balcão de madeira da cozinha em letras em relevo. Eles estão à direita de Lorraine, quando ela está à mesa do café da manhã com Ed. Você os vê novamente quando ela está na pia. O terceiro local é na sala onde Lorraine e sua filha estão sentadas. Na estante há grandes letras de madeira dispostas em duas prateleiras. Eles também aparecem na pulseira que Judy está fazendo. Eles surgem durante o sonho de Lorraine e depois.

Todas as cenas com a freira foram adicionadas durante as refilmagens, substituindo a filmagem original de um demônio sombrio com chifres. Isso aconteceu porque o diretor James Wan desejava expandir a história de Lorraine Warren tendo sua fé questionada. Portanto, ele projetou o demônio para se parecer com um ícone sagrado. O desenho original pode ser visto no final do clímax, quando o demônio é derrotado.

O diabo está nos detalhes

Um momento bem curioso espelha o talento do diretor. Quando Ed senta com família para cantar Elvis e acalmar os nervos de todos, você espera que Wan interrompa o momento com um susto, porque normalmente é isso que esses filmes horror fazem. Mas Wan é um cineasta talentoso demais para desvalorizar o momento. Ele investiu na vida interior de cada personagem. 

Então, quando o horror chega, ele vem para (tentar) ficar.


🔷 Invocação do mal 3 - Ordem do demônio (2021)

A saga Invocação do Mal poderia render uma dezena de ótimas continuações devido aos numerosos casos de pessoas que sofrem algum tipo de pertubação. Mas a troca da direção, colocando Michael Chaves, do fraco e oportunista "A Maldição da Chorona", pode ter minado planos futuros. Curioso que, mesmo após ele ter dirigido o pior filme do Invocaverso e o mais fraco Invocação do Mal, ele foi novamente colocado na direção de um filme da saga, agora a Freira II. Talvez ele seja muito amigo de James Wan, ou este simplesmente acreditava em seu talento.

Curiosamente, A Freira II é ótimo, então, a persistência de Wan não foi injustificável. Mas o fato é que Invocação do Mal 3 se aproxima da espetacularização, se distanciando do horror genuíno e climático dos anteriores.

Na trama do filme, agora em 1981, os demonologistas, Ed e Lorraine Warren, documentam o exorcismo de David Glatzel, de 8 anos, com a presença de sua família: sua irmã Debbie, seu namorado Arne Johnson, e o padre Gordon em Brookfield, Connecticut. Durante o exorcismo, numa atitude desesperada, Arne pede ao demônio que entre em seu corpo em vez de David. Ed testemunha o demônio se transportar do corpo de David para o de Arne enquanto ele sofre um ataque cardíaco e é levado para um hospital inconsciente.

No mês seguinte, Ed acorda no hospital e revela a Lorraine que testemunhou o demônio entrar no corpo de Arne. Ela manda a polícia até a casa dos Glatzel, avisando que ali ocorrerá uma tragédia. Arne e Debbie voltam para seu apartamento localizado acima de um canil onde Debbie trabalha. 

Após se sentir mal, Arne assassina seu senhorio, Bruno Sauls, esfaqueando-o 22 vezes devido à sua possessão demoníaca. Com o apoio dos Warren, seu caso se torna o primeiro julgamento de assassinato americano onde a possessão demoníaca é reivindicada como defesa, resultando no início de uma investigação sobre a possessão original de David. 

Conjurando...

Este é o segundo filme sobre o assassinato de Brookfield ocorrido em 1981. O primeiro foi O Exorcista do Demônio (1983). A família Glatzel teve outros dois filhos não retratados no filme. Alan, de 14 anos, e Carl Glatzel Jr, de 15. Carl Jr denunciou os Warren como fraudes e afirmou que seu irmão David, na verdade, sofria de doença mental.

No prólogo do filme, quando Ed e Lorraine realizam um exorcismo, há uma cena do padre Gordon aparecendo e saindo do táxi que homenageia a obra-prima do terror O Exorcista (1973).

Quando Ed e Lorraine estão procurando pistas sobre as origens/significado do totem da bruxa, o Padre Gordon os encaminha ao Padre Kastner, a quem ele afirma ter conhecimento do ocultismo devido aos anos que passou estudando os Discípulos do Carneiro, o mesmo culto responsável pelos eventos de Annabelle (2014).

Quando o Padre Kastner (John Noble) diz que prefere manter seus objetos satânicos trancados em seu porão, "como manter as armas fora das ruas", Ed e Lorraine trocam um olhar significativo. Em Invocação do Mal (2013), Ed disse exatamente a mesma coisa para um repórter enquanto fazia um tour por seu porão cheio de artefatos amaldiçoados.

No final do filme, quando Ed é possuído pelo demônio e é visto cambaleando em direção a Lorraine segurando uma marreta, é uma homenagem ao clássico filme de terror O Iluminado (1980), quando Jack Torrance segura seu machado e é visto cambaleando e perseguindo sua esposa.

Julgamento de Arne Cheyenne Johnson

O julgamento, também conhecido como caso "Devil Made Me Do It" ou O Diabo me forçou a fazer, foi um processo legal altamente divulgado nos Estados Unidos em 1981. Marcou a primeira vez na história dos EUA, que a defesa da possessão demoníaca foi usada em um caso de julgamento de assassinato.

O caso girou em torno do assassinato de Alan Bono, um proprietário de Brookfield, Connecticut. Arne Cheyenne Johnson foi acusado de esfaquear Bono várias vezes, resultando em sua morte. A equipe de defesa de Johnson argumentou que ele estava possuído por um demônio no momento do assassinato, o que o tornava não responsável por suas ações.

A alegação da defesa de possessão demoníaca foi baseada em um incidente anterior envolvendo o irmão mais novo da namorada de Johnson, David Glatzel. Foi alegado que David estava possuído por um demônio e Johnson tentou intervir e salvá-lo. Como resultado, o demônio foi supostamente transferido de David para Johnson.

Durante o julgamento, a equipe de defesa convocou várias testemunhas, incluindo especialistas em demonologia e fenômenos paranormais, para depor sobre a alegada posse. No entanto, o juiz decidiu que a defesa não poderia apresentar provas de possessão demoníaca, uma vez que não foi reconhecida pela lei como uma defesa válida.

Como resultado, a estratégia de defesa de Johnson mudou para uma alegação de legítima defesa. Eles argumentaram que Johnson agiu para proteger a si e a sua namorada de Bono, que alegavam ser uma pessoa violenta e agressiva.

No final das contas, o júri considerou Arne Cheyenne Johnson culpado de homicídio culposo em primeiro grau e ele foi condenado a 10 a 20 anos de prisão. No entanto, ele cumpriu apenas cinco anos de sua sentença antes de ser liberto em liberdade condicional.

O julgamento de Arne Cheyenne Johnson ganhou atenção significativa da mídia e inspirou o romance de 1983: "O Diabo em Connecticut", de Gerald Brittle. 

Identificação do mal.

Visualmente falando, James Wan consegue em seus filmes algo raro: personificar o mal por meio de figuras ímpares como Annabelle, Homem Torto, A Freira, Jigsaw, entre outros. E justamente isto não ocorre neste terceiro episódio. Você, simplesmente, não sabe que figura deve odiar ou ter medo. Elas vêm e vão sem terem real importância.

Mas voltando...

Os fãs ficaram apreensivos com o fato de James Wan não retornar para dirigir o filme. Wan, ao descrever sua passagem do "bastão" para Michael Chaves, comentou que percebeu muita energia em Chaves na compreensão do tipo de horror que queria criar no terceiro capítulo da série. 

James Wan comentou que ele queria sair do clichê da casa mal-assombrada, que era o subgênero dos dois filmes anteriores. O trailer inicial levou os fãs a acreditar que o filme apresentaria um drama pesado de tribunal, como o clássico de terror O Exorcismo de Emily Rose(2005). No entanto, o filme apresenta processos judiciais em apenas duas breves cenas. Embora seja, em última análise, um ponto crucial da trama, o filme não coloca um grande foco no processo judicial em si.

O filme erra ao focar em ser um filme de monstro. Erra em mostrar Lorraine com uma vidência parecendo herói da Marvel. Erra ao não focar de forma apropriada no julgamento, tornando-o desinteressante e erra em colocar cenas de ação, usando enquadramentos de filmes de aventura. 

Não sei ser era óbvio demais, mas persistir em Chaves era claramente um erro. Mas mesmo com o resultado insatisfatório, Chaves poderia dizer algo que remete ao próprio filme: "Wan made me do it."


 

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