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JOGOS MORTAIS - SAGA REVIEW

 

Serra.

Texto: M.V.Pacheco

Revisão: Thais A.F. Melo


Iniciando mais uma Saga Review: hoje, vou rever Jogos Mortais e suas continuações que tendem ao infinito. 

Que os jogos comecem...

🔷Jogos Mortais  (2004).

Jogos mortais é o maior representante do conceito "pérola do horror", ou seja, um filme pequeno, com orçamento ínfimo (custou 1 milhão e rendeu 100 milhões), filmado em apenas 18 dias (e em ordem cronológica), mas dominado por grandes ideias e ótimas reviravoltas. 

Na trama, dois homens acordam acorrentados em um banheiro como prisioneiros de um assassino em série que leva suas vítimas a situações limítrofes em um jogo macabro. Para sobreviver, eles terão de desvendar juntos as peças desse quebra-cabeça doentio.

Há detalhes que fazem a diferença, como os movimentos da câmera que refletem as emoções e a personalidade dos dois personagens principais. Basicamente, Dr. Gordon com tomadas constantes e seguras enquanto Adam é filmado de forma manual para capturar suas emoções de cada situação.

O filme introduziu um conceito novo e original para o gênero de terror. A ideia de um assassino que desafia suas vítimas a confrontar seus próprios pecados e fazer escolhas de vida ou morte foi altamente intrigante e cativou o público. Jigsaw inventa armadilhas plausíveis (neste filme, pelo menos) a fim de testar, por um meio distorcido, a força das possíveis vitimas.

A história apresenta uma teia complexa de personagens interconectados e revela reviravoltas surpreendentes ao longo do caminho. O suspense aumenta gradualmente, à medida que o público fica tentando adivinhar a verdadeira identidade do Jigsaw e os motivos por trás de seus jogos sádicos.

"Jogos Mortais" investiga com muita propriedade os aspectos psicológicos de seus personagens, explorando temas de moralidade, culpa e redenção. O filme levanta questões instigantes sobre o valor da vida e as escolhas que as pessoas fazem quando confrontadas com circunstâncias extremas. 

O estilo visual deste primeiro filme foi um achado. A direção de James Wan aliada aos cenários claustrofóbicos, cria uma atmosfera tensa e densa, agregando uma sensação de pavor e desconforto constante.

Os diretores James Wan e Leigh Whannell queriam fazer um filme depois que terminassem a escola de cinema, mas só podiam pagar um quarto como locação. No entanto, eles se desafiaram a criar um filme que ocorresse apenas em um cômodo. Jogos Mortais foi o resultado e é considerado um dos filmes de terror mais lucrativos e bem-sucedidos de todos os tempos.

O que nos leva a Jogos Mortais 2 (2005), que foi aprovado para produção no fim de semana de estreia do primeiro filme.

🔷Jogos Mortais 2 (2005).

Na trama, o detetive Eric Matthews (Donnie Wahlberg) está investigando o caso de um sangrento assassinato, e suas suspeitas recaem sobre Jigsaw (Tobin Bell), que desapareceu. Enquanto isso, o assassino está em uma casa abandonada e prendeu 8 pessoas lá dentro para "jogarem" com ele. 

O local está cheio de um gás mortal, que não para de ser lançado, e os prisioneiros têm apenas 2 horas para se livrarem das armadilhas de Jigsaw, ou então morrerão. O que essas pessoas não sabem é que elas tem uma ligação entre si: 7 foram incriminadas por Eric Matthews e a outra vítima é o filho do detetive. No meio dessas pessoas também está Amanda Young (Shawnee Smith), sobrevivente das pegadinhas do assassino.

A franquia começa a mudar as regras dos Jogos que inventou. Amanda, que sobreviveu aos Jogos, passa a ser a protagonista do filme ligada ao Jigasw. Sua ligação com o sofrimento e morte faz com que ela tire o princípio básico de Jigsaw: quanto você está disposto a sofrer para salvar sua vida. Um plot twist para justificar o injustificável.

Esse filme originalmente veio de um roteiro do diretor Darren Lynn Bousman e foi chamado de "The Desperate". O roteiro ficou "na geladeira" durante anos porque ninguém queria produzir, alegando ser violento demais, até que uma distribuidora apostou que o roteiro pudesse dar em um filme que seria o maior sucesso no festival de Sundance. 

Quando o roteirista estava prestes a fechar um acordo para produzir um filme, os produtores ficaram sabendo que Jogos Mortais estreou com um enorme sucesso de bilheteria e perguntaram a Darren Lynn se ele podia mudar o nome do filme para Jogos Mortais 2. Leigh Whannell, que escreveu o primeiro filme da série Jogos Mortais, foi convocado para ajudar Darrel Lynn a criar uma sequência adequada e a modificar o que fosse necessário no roteiro.

Com Jogos Mortais 2, passamos a nos importar menos com as mortes, que parecem acontecer apenas para satisfazer o público. E a cada filme, o espetáculo dos assassinatos se tornam mais importantes que o propósito.

E a inevitabilidade das mortes, toma conta do cenário. Morrer antes era uma opção, agora, um show gore. E como o filme teve um orçamento pequeno, de apenas 4 milhões e rendeu quase 150 milhões, o público endossou o filme e as continuações que viriam.

O ponto alto desse Jogos Mortais é sem dúvidas, o retorno ao cenário do primeiro, mostrando para o público que aquele era o caminho certo a seguir. Mas como o próprio vilão, o filme nos rouba a escolha.


Fato que nos leva a Jogos Mortais 3 e de volta ao local do primeiro filme...

🔷Jogos Mortais 3 (2006).

Na trama, Jigsaw desapareceu. Com sua nova aprendiz, Amanda, o manipulador por trás dos cruéis e intricados jogos que aterrorizaram uma comunidade e desconcertaram a polícia, iludiu sua captura e sumiu mais uma vez. Enquanto detetives da cidade se mexem para localizá-lo, a Dra. Lynn Denlon não tem ciência de que está prestes a se tornar a mais nova peça de seu cruel jogo de xadrez.

E já na primeira morte solo, tradicional da saga até aqui, há uma referência a Hellraiser, com a armadilha fugindo completamente do tom dos outros filmes. Mas quando olhamos esse como primeiro ponto alto da trama, percebemos que Jogos Mortais está se apoiando em outro clássico de sucesso e em seu próprio passado, para criar sua história, o que não é um bom sinal.


Uma pergunta permeia estes filmes: como ele consegue elaborar tais equipamentos para tortura? Até financiá-los...

Há pontos positivos no filme. Não só por manter diretor e o elenco, mas por dar continuidade à história, que aprofunda os aspectos emocionais e psicológicos de seus personagens, explorando a jornada pessoal da aprendiz de Jigsaw, Amanda Young (interpretada por Shawnee Smith), enquanto ela luta com seus próprios demônios.

O filme também apresenta uma narrativa complexa que une várias histórias e revela conexões surpreendentes. Ele investiga os intrincados planos de Jigsaw e a interconexão dos personagens envolvidos. 


Por outro lado, o filme apresenta cenas gráficas e perturbadoras de tortura e mutilação, que podem ser avassaladoras e desconcertantes para alguns espectadores. O foco excessivo no gore pode desviar a atenção de quem busca um filme simples e inteligente como o primeiro.

"Jogos Mortais III" também não investiu no mistério e suspense. À medida que a saga continuou, a identidade e os motivos de Jigsaw tornaram-se mais familiares, diminuindo potencialmente a surpresa e a intriga que caracterizavam os capítulos anteriores.


E claro, as armadilhas e cenários cada vez mais implausíveis e rebuscados, dificultando a imersão e uma experiência mais fluida com a trama.

Ainda assim, o filme vale justamente pelo seu erro: não seguir em frente e ficar voltando no cenário do primeiro filme. O segundo ponto alto, portanto, é a cena em que Jig e Amanda montam a cena que ficou marcada na produção de 2004.

A produção custou 10 milhões (10 vezes mais que o primeiro) e rendeu 164 milhões. Valores que catapultam Jigsaw e banda para o quarto... filme.


🔷Jogos Mortais 4 (2007).

Como comentei acima, é inegável o caráter episódico de Jogos Mortais. E quando assistimos em série, os acertos ganham destaque, mesmo que, com isso, os erros ganham importância. Este quarto filme se inicia com a autópsia de Jigsaw e a descoberta de uma fita gravada por ele, coberta com cera dentro de seu estômago, que quando tocada pelo Detetive Hoffman, revela que os jogos apenas começaram e que ele espera que Hoffman tenha sucesso onde os outros falharam no teste já que ele é o único que resta. 

A cena seguinte mostra um mausoléu, onde Trevor e Art estão presos a uma armadilha. As pálpebras de Trevor foram costuradas, assim como a boca de Art, tornando a comunicação entre os dois, impossível. Quando a armadilha começa a puxá-los, ambos entram em pânico, e os jogos começam...


O filme segue uma fórmula semelhante a seus antecessores, apresentando personagens presos em armadilhas elaboradas e forçados a fazer escolhas de vida ou morte. Aliás, morte ou morte.

Um aspecto notável de "Jogos Mortais 4" é sua ênfase na interconexão do enredo geral. O filme se aprofunda na mitologia da franquia, fornecendo informações adicionais e revelando novas conexões entre os personagens. Ele tenta amarrar pontas soltas e oferecer explicações para eventos e motivações de personagens, tornando-se um capítulo crucial para os fãs que investem na narrativa abrangente.


A magnífica cena da autópsia no início deveria acontecer originalmente no final de Jogos Mortais 3 (2006). A cena foi aprovada completamente sem cortes pela MPAA. Havia um legista no set o tempo todo para a sequência. E assim como os anteriores, Jogos Mortais 4 foi filmado em torno de 30 dias. E como teve um orçamento de 10 milhões, e uma bilheteria na casa dos 140 milhões, a série foi se tornando, a cada filme, uma das mais rentáveis do cinema, se levarmos em consideração a proporção com o custo. 

A linha do tempo deste filme se passa durante os eventos de Jogos Mortais 3 (2006), então os dois filmes se sobrepõem até o final. E a morte do vilão deixa no ar uma pergunta: o que acontecerá a seguir?


🔷Jogos Mortais 5 (2008).

O enredo segue as consequências da morte de Jigsaw e gira em torno de uma nova série de jogos mortais orquestrados por seu sucessor, o detetive Mark Hoffman. O filme também explora a investigação em andamento sobre os cúmplices de Jigsaw, liderada pelo agente do FBI Peter Strahm. Enquanto os personagens navegam por um labirinto de armadilhas e desafios, o filme se aprofunda em dilemas morais e psicológicos dos envolvidos.

"Jogos Mortais 5" continua a tradição de apresentar complexas armadilhas que desafiam o intelecto e a moralidade dos personagens. Porém, a cada filme, o enredo se distancia mais da ideia original, sendo esse o que introduz uma espécie de Escape Room, enquanto o detetive investiga o "novo" vilão.


O filme foi dirigido por David Hackl, que já havia trabalhado como desenhista de produção nos filmes "Jogos Mortais" anteriores. O roteiro foi escrito por Patrick Melton e Marcus Dunstan, que também contribuíram para os roteiros anteriores da franquia.

Ele foi produzido pela Twisted Pictures, uma produtora conhecida por seu trabalho na série "Jogos Mortais". A Twisted Pictures esteve envolvida na produção de vários filmes de terror e desempenhou um papel significativo no sucesso da franquia.


Com orçamento estimado em cerca de 10 milhões, o filme arrecadou mais de 113 milhões em todo o mundo, tendo um sucesso comercial menor que os anteriores.

Em tempo, a armadilha de Seth foi inspirada no conto de Edgar Allan Poe "O poço e o pêndulo".

Minha experiencia até aqui...

É inegável que meu poder argumentativo se dilui com o decorrer dos filmes. O elenco de apoio vai se esvaindo e novos não ganham força enquanto um câncer vai ceifando a vida do vilão, que foi visto neste quinto capítulo por meio de flashbacks. 


Enquanto isso, ele foi treinando dois substitutos sem o menor carisma (e competência). Isso tudo pontuado por armadilhas inconcebíveis sob pretexto de punições duvidosas. 

Jogos Mortais perdeu o foco, propósito e com isso razão de ser.. Mas como é um filme com orçamento reduzido, se mantem vivo no mercado pelo relativo sucesso de cada sequência. 

🔷Jogos Mortais 6 (2009).

A primeira cena de Jogos Mortais 6 é gore em seu estado puro.  Um filme gore é um tipo que apresenta cenas explícitas e gráficas de violência, derramamento de sangue e geralmente inclui representações exageradas de ferimentos ou mutilação. Esses filmes geralmente se enquadram no gênero de terror e visam chocar, perturbar ou aterrorizar o público por meio do uso de extrema violência e sangue coagulado.


Os filmes gore geralmente exibem cenas de intensa brutalidade, com foco nos efeitos visuais de sangue, desmembramento ou outras formas de danos corporais. Esses filmes podem envolver elementos dos gêneros slasher, splatter ou tortura, e frequentemente empregam maquiagem de efeitos especiais, próteses e efeitos visuais para criar efeitos gore realistas ou exagerados. Eles geralmente contêm cenas que podem ser perturbadoras ou ofensivas para alguns espectadores. 

Na trama do filme, já sabemos que Hoffman (Costas Mandylor) é o sucessor de Jigsaw (Tobin Bell). E no início, vemos que ele consegue incriminar o agente Strahm (Scott Patterson), desviando momentaneamente a atenção da polícia.


Hoffman inicia um novo jogo, desta vez com William Easton (Peter Outerbridge), um empresário corrupto de planos de saúde que deixa seus clientes morrerem para a empresa lucrar mais, sem gastos médicos com os tratamentos. Paralelamente a tudo isso, os segredos pendentes de Amanda Young (Shawnee Smith) também são revelados em flashbacks inéditos.

Este foi o "Jogos Mortais" de menor bilheteria. Todas as outros renderam mais de 100 milhões nas bilheterias mundiais e este arrecadou apenas 68 milhões. O filme seguinte, Jogos Mortais: O Final (2010) (ou "Jogos Mortais 3D") foi originalmente planejado para ser lançado em duas partes, mas o decepcionante desempenho de bilheteria deste levou "Jogos Mortais 3D" a ser lançado como um único filme.


Um dos aspectos notáveis ​​deste "Jogos" é seu comentário social sobre o setor de saúde. O filme critica a natureza lucrativa do sistema e a exploração de pacientes necessitados. Ele levanta questões sobre a ética de priorizar o ganho monetário sobre as vidas humanas e explora a noção de responsabilidade pessoal.

Até aqui, creio que as maiores vítimas dos Jogos Mortais sejam os próprios filmes. A franquia ficou escrava da sequência final, que tem um tom de plot twist, se encerrando na própria sequência. Mas até aqui, os filmes tem se saído bem, e o final tem sido o ponto alto de cada história.


🔷Jogos Mortais - O Final (2010).

Eu poderia fazer um resumo do filme, só mostrando as imagens a seguir. A única função do filme é mostrar cenas gore, o que de fato, faz com qualidade.






Mas como é um saga review, vou falar de alguns pontos. 

O também conhecido como  "Jogos Mortais 3D" foi lançado durante um período de ressurgimento do cinema 3D e teve como objetivo aprimorar a experiência de terror imergindo os espectadores no mundo das armadilhas de Jigsaw. Os efeitos 3D foram utilizados para criar uma sensação maior impactanto visual, além de obter o maior lucro, o que de fato ocorreu, já que o filme anterior rendeu 68 milhões e este, 136 milhões.

Na história, se é que importa, após a morte de Jigsaw, um grupo de sobreviventes de seus terríveis jogos mortais procura ajuda com o psicólogo Bobby Dagen, que também foi vítima das torturas do psicopata. O que o grupo não sabe é que Bobby também tem seus próprios segredos sombrios e que estão diante de um grande perigo.


Tendo sido anunciado como "O Final", algo que não convence mais ninguem, o filme realmente fecha uma história que perdeu fôlego, a cada lançamento, mesmo que, como qualquer franquia, tenha seu público cativo.

Esta é a única série de filmes a ter seus primeiros sete filmes lançados em anos consecutivos de 2004 a 2010. Esse recorde foi originalmente detido pela série "Loucademia de Polícia", cujos primeiros seis filmes foram lançados consecutivamente de 1984 a 1989.

Ainda  sobre a história do filme, o plot twist é um verdadeiro tiro no pé. 


E aproveitando que o filme é 3D, vou relatar um fato curioso que aconteceu fora das telas. Famílias que levaram seus filhos para ver o desenho animado Megamente em um cinema de Massachusetts, em novembro 2010, ficaram furiosas depois que Jogos Mortais 3D foi exibido por engano. Era um grupo de crianças de sete anos comemorando um aniversário.

As crianças foram instruídas a cobrir os olhos enquanto os funcionários do cinema tentavam corrigir o erro, mas que levou tempo suficiente para assistirem as primeiras cenas, que eram puro gore.

O filme Jogos mortais 3D foi caótico até fora das telas. 


🔷Jogos Mortais - Jigsaw (2017).

Como a fórmula foi esgotada, era natural uma reinvenção. E a escolha dos diretores, irmãos, Michael Spierig e Peter, que fizeram um ótimo trabalho com O Predestinado (2014), 2019 - O Ano da Extinção (2009) e A Maldição da Casa Winchester (2018), foi bem acertada. Ainda que o filme tenha tido, basicamente, o orçamento da maioria dos filmes (10 milhões), a qualidade percebidade nas telas é de outro nível. 

O filme se inicia com a perseguição que termina com um jovem baleado dizendo que os jogos começaram. Paralelalemte, após uma série de assassinatos, todas as pistas estão sendo levadas a John Kramer (Tobin Bell), o assassino mais conhecido como Jigsaw. À medida que a investigação avança, os policiais se encontram perseguindo o fantasma de um homem morto há mais de uma década.



Cada um dos membros do elenco principal, incluindo o próprio Jigsaw (Tobin Bell), apareceu em material promocional com a pintura clássica do boneco de Jigsaw. Este é o terceiro filme da série a apresentar as principais cobaias progredindo através de uma série de armadilhas, mudando a ideia narrativa para um "escape room".

Um aspecto significativo de "Jigsaw" é sua tentativa de revitalizar a franquia e introduzir um novo capítulo, mantendo-se fiel aos elementos centrais da série. Porém, o faz de forma torpe. Jigsaw virou um comerciante da dor, que vende o produto em troca de uma redenção que nunca vem, nem mesmo na morte dos infelizes jogadores compulsórios. 


O sádico doente terminal e inventor de extravagantes armadilhas mortais projetadas para torturar e matar pecadores de maneiras revoltantes, conseguiu sobrevida graças a flashbacks intermináveis e ao número excessivo de seguidores que antes eram suas vitimas. E claro, aos produtores sempre dispostos a torrar 10 milhões para gerar 100. 

Vendo por esse lado, vamos descobrir em breve que o vilão foi clonado e que ainda viverá muitas aventuras mortais no cinema. 


🔷Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021).

Quando a reinvenção não funciona como gostariam... ressignificar é a solução. Mas não sei nem por onde começar a juntar o quebra-cabeças com peças que não se encaixam. Por exemplo: como pode ser a solução de renovação, chamar o diretor Darren Lynn Bousman, que dirigiu Jogos Mortais II, III e IV, que representam a escada ladeira abaixo da saga?

Como podem escalar Chris Rock, Max Minghella, Samuel L. Jackson para um filme notadamente gore? Especialmente Rock, que você espera 10 mil piadas por minuto (ou algum merecido tapa na cara).  O filme fez feio nas bilheterias, rendendo 40 milhões, de longe, o pior resultado da franquia no cinema. Para efeito comparativo, a atriz Margot Robbie ganhou 50 milhões por Barbie. 


Na trama de Espiral - O Legado de Jogos Mortais  o detetive Ezekiel "Zeke" Banks (Chris Rock) se une ao seu parceiro novato Willem (Max Minghella) para desvendar uma série de assassinatos terríveis que estão acontecendo na cidade. Durante as investigações, Zeke acaba se envolvendo no mórbido jogo do assassino. Ele percebe que o serial killer é um imitador determinado a seguir os passos do assassino Jigsaw (Tobin Bell).

Não há menção ao Dr. Lawrence Gordon, Mark Hoffman ou Logan Nelson, os personagens principais dos filmes anteriores de “Jogos Mortais”. Dr. Gordon estava vivo no final de Jogos Mortais: O Final (2010) onde prendeu Hoffman sem chance de escapar; Logan estava vivo no final de Jogos Mortais: Jigsaw (2017) . Seus destinos permanecem desconhecidos neste filme.


Chris Rock é fã da franquia e apresentou a ideia à Lionsgate. Como resultado, eles o tornaram um dos atores principais, co-roteirista e produtor executivo (poderia ser pior, imagina se Jim Carrey, Ben Stiller ou Eddie Murphy fizessem o mesmo?). Segundo Chris Rock , há dois filmes que serviram de inspiração para este filme: Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995) e 48 Horas (1982).

O assassino usa uma máscara de porco para esconder sua identidade, semelhante ao Jigsaw dos filmes anteriores da franquia. No entanto, seus motivos para escolher um porco são diferentes: Jigsaw usava uma máscara de porco porque começou seu trabalho no Ano Chinês do Porco. O assassino neste filme usa um porco como máscara e fantoche; a máscara em homenagem a Jigsaw, enquanto o boneco faz alusão ao fato de o assassino ver os policiais como porcos.


A porta do cofre do porão da polícia é fabricada por uma empresa chamada "Jules and Vincent". Esta é uma referência aos personagens interpretados por John Travolta e Samuel L. Jackson em Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994). Aliás, o nome Zeke é uma abreviação de Ezequiel, uma referência à passagem Ezequiel 25:17 citada por Jules Winnfield (interpretado por Samuel L. Jackson). também em Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994).

E um doce para quem advinhar em qual minuto Samuel L. Jackson aparece neste Espiral? 25 min. e 17 
segundos.


O espiral do título está relacionado ao padrão dos redemoinhos vermelhos das bochechas do boneco Billy. Mas se olharmos mais de perto, espiral é a dinâmica de uma saga que andou em círculos, não chegando jamais a lugar nenhum. E ao analisarmos todos os filmes, é possível entender que Jogos Mortais não buscou identidade, buscou a identidade que o primeiro filme conquistou. 

Falhou na meta. Falhou na forma. Falhou no conteúdo. 

Mesmo assim, Espiral é um filme acima da média, ser não for visto justamente, como Jogos Mortais. 

🔷Jogos Mortais X (2023).

É preciso dissociar a ideia depreciativa de continuações. O fardo fica ainda mais pesado quando uma franquia que se perdeu, chega ao décimo filme. O grande triunfo de Jogos Mortais X não está em humanizar John Kramer (Tobin Bell), mas sim, mostrar que ele é de fato, humano, e sob circunstâncias como a que ele enfrenta, é apenas um doente buscando se agarrar a chance de viver. 

Na trama, ele viaja para o México em busca de um procedimento experimental e uma cura milagrosa para seu câncer – apenas para descobrir que toda a operação é, na verdade, um golpe para fraudar os mais vulneráveis. Evidentemente, a situação é o gatilho para que Jigsaw se vingue. 

O filme usa a doença de forma brilhante para justificar a idade avançada do ator, que iniciou a franquia em torno dos 60 anos e agora está com 81. Inclusive é situado entre Jogos Mortais (2004) e Jogos Mortais II (2005). Não há também a dinâmica da investigação. Jogos Mortais faz de John seu astro. O roteiro joga luz no ator, que protagoniza grandes momentos. Até mesmo sensíveis.  

Não à toa, o filme se tornou o mais bem avaliado da série. E ainda consegue fornecer uma leitura do personagem de forma independente dos demais. A produção também é a mais longa, porém há história para ser contada. E ela é feita pacientemente. Não há pressa em colocar as peças no tabuleiro. 

O tratamento experimental contra o câncer que John procura neste filme é o mesmo tratamento para o qual ele procurou - e foi negado - por conta da cobertura de seguro em um flashback em Jogos Mortais VI (2009). Isso é ainda mais solidificado pelo fato de que naquele filme, John menciona que está localizado na Noruega, onde o pai de Cecilia está (supostamente) fazendo seu trabalho.

Mesmo tendo sido usada como pôster do filme, a "Armadilha de Vácuo para os Olhos" revela-se não ser uma armadilha real, mas um cenário hipotético em que John pensa ao testemunhar alguém cometer um roubo.

Alguns dos filmes anteriores, "Jogos Mortais (2004), Jogos Mortais II (2005), Jogos Mortais: O Final (2010), Jogos Mortais: Jigsaw (2017) e Espiral: O Legado de Jogos Mortais (2021) terminam com uma porta sendo fechada. Este termina com uma porta sendo aberta, demostrando que há um mundo de mortes para o personagem desbravar.

As motivações de John Kramer e se elas são justificadas ou não, sempre foram uma grande discussão entre os amantes do terror e também entre os fãs de ‘Jogos Mortais’. Este filme está muito consciente disso. Faz múltiplas referências a este debate e elas são feitas de uma forma que é ao mesmo tempo, levemente irônica e também mortalmente séria.


Há um mínimo de envolvimento com os personagens (que era zero nos anteriores). Isto faz com o que tenhamos, pelo menos, conhecimento dos personagens, e ainda que isto não crie empatia, nos dá o envolvimento necessário para achar todo o processo interessante. Até mesmo as armadilhas parecem mais executáveis.

Curioso que até uma reclamação que fiz dos filmes acima, ganha sentido aqui. A cada armadilha, os personagens vão morrendo das formas mais violentas possíveis. Isso nos rouba a possibilidade de torcermos pelos personagens, pois sabemos que nunca sobrevivem. 


Mas neste filme, John dá significado a isso. Nunca foi sobre tentar sair das armadilhas. Era sobre John dar falsas esperanças às vítimas, pois foi assim que fizeram com ele. Dar falsas esperanças e evidentemente, se vingar. 

E como vemos com a personagem Gabi, John tinha uma parcela de compaixão e suas armadilhas não eram apenas sentenças. Ele dava esperança de forma realizável, e caso alguém conseguisse, era mérito da vítima. 


Mas esta dinâmica falha, e John é colocado pelas vítimas, em uma de suas armadilhas. Desta forma, reside aí uma ironia: ao colocarem Kramer, a trama oficializa o personagem como vítima e faz dos capturados reais vilões, tão sádicos quanto John pode ser. E o final é absolutamente genial em mostrar isso de forma explícita. 

Não importa o quão cruel John Kramer chegará a ser em seu caminho. A grande mensagem do filme é que os verdadeiros jogos mortais são impostos pela vida. E ainda costumamos ter esperança, ou mesmo rezar, para que um Jigsaw nos cure. 


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