O Exorcista.
Texto: M.V.Pacheco
Revisão: Thais A.F. Melo
Fazer o review de uma saga como O Exorcista me parece tão errado, que resolvi fazê-lo fora de ordem e por um motivo simples: ainda que haja uma linha temporal que liga as obras, elas podem ser vistas fora de ordem.
Não sei ao certo se O Exorcista era uma daquelas obras que não mereciam continuações, mas o que fizeram nos filmes a seguir foi uma covardia. Manchou a filmografia de John Boorman, trouxe de volta dos mortos o padre Karras no terceiro filme, e ainda cometeram a obscenidade de fazer um prequel tão ruim que o refizeram, mas lançaram os dois.
Mas hoje vou tentar trazer um olhar menos hater, analisando os filmes como obras em si e não como continuações do maior filme de horror da história do cinema. Para isto, iniciei pelos prequels, até para não ser tão influenciado pelo brilhante filme original. De toda forma, abaixo os coloquei em ordem.
Boa sessão e boa sorte.
🔷O Exorcista (1973)
Para falar do maior filme de horror de todos os tempos, primeiro fui procurar (na internet, não no dicionário) a melhor definição de "empatia", que é basicamente, a capacidade de se colocar no lugar do outro, tentando compreender instintivamente sentimentos, emoções e o que levou a pessoa a passar por determinadas situações e tomar atitudes específicas.
Afinal, porque comecei a falar de "O Exorcista" desta forma? Porque só quem viveu o horror de assistir o filme no cinema, em plena década de 70, sabe o que foi. Entrar numa sala escura e ver quase duas horas de tortura psicológica, num filme pensado para incomodar, não foi para muitos.
Agora imagine eu, criança, começando a trajetória cinéfila, sendo "obrigado" a ver o filme à meia-noite numa casa cheia de gente medrosa? Ou ainda rever o filme nas exibições de Corujão, Supercine ou Sessão de Gala, tarde da noite, sem computador ou celular para me distrair. "O horror, o horror...", definiria o Coronel Kurtz.
Quem passou por estes e outros traumas, guarda até hoje um sentimento de incômodo. Confesso que hoje, agora adulto, sempre que assisto me preparo. As gerações que não viveram isso, e nasceram na era do cinema fast food (no streaming para piorar), não tem acesso ao sentimento vivido por quem viveu o evento "O Exorcista". Curioso pensar que minha mãe viu o filme quando estava grávida, já quase para me colocar no mundo dos filmes. Imagine como seria glorioso se eu tivesse nascido no cinema? Vomitaria abacate na certa... Ou sopa de ervilha...
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De qualquer forma, já conversei com diversas pessoas que não entendem a comoção com o filme. Algumas disseram que nem é assustador. Aqui entra a empatia. Quem tem acesso hoje a 600 milhões de fotos e vídeos de nudez na internet não tem a dimensão do que foi a nudez de Hedy Lamarr em Êxtase, de 1933. Quem admira ou até dá de ombros com a perfeição do conflito entre Godzilla e King Kong não consegue imaginar como foi para a platéia assistir o Kong, também em 1933.
Quem critica os Nerds quarentões que foram aos céus com o Capitão América empunhando o martelo de Thor, não viveu a época que filme de herói era um momento de vergonha alheia coletiva. Eu mesmo, por décadas, só amava o primeiro Superman (e vá lá, o segundo, já que era muito reprisado na sessão da tarde). Foi só quando Batman (em 1989), Batman - O Retorno (1992), X-men (2000) e Homem- Aranha (2002) vieram ao mundo que começamos a respirar novos ares.
Deixando de lado a argumentação da empatia e voltando para o filme...
Na trama, que se passa em Georgetown, Washington, uma atriz vai gradativamente tomando consciência dos reais motivos que fazem a sua filha de doze anos ter um comportamento fora do comum. Depois de cessar os recursos, ela pede ajuda a um padre, que também é um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina da provável possessão.
O Exorcista foi o primeiro e único filme de terror a ser indicado ao Oscar de melhor filme. E foi relançado nos cinemas em 2000, com uma nova cópia, som digital e 11 minutos de cenas extras inseridas ao longo do filme. Esta tal "Versão que você nunca viu" foi um delírio dos envolvidos em ganhar uns trocados com um filme perfeito inserindo efeitos especiais que destoam do filme, roubando alguns dos grandes momentos do filme. Eu tive o desprazer de vê-lo no cinema.
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A minha geração conseguiu ver diversas entrevistas e making of do filme no VHS duplo lançado (material hoje facilmente encontrado na internet ou, por enquanto, no streaming HBO Max). Eu devorei cada informação (o acesso na época era limitadíssimo) e escrever parece fácil, já que tenho cada imagem na minha mente, como o grito de dor da atriz Ellen Burstyn na sequência em que a personagem é arremessada para longe por sua filha possuída. A atriz bateu violentamente com o cóccix contra a cama e gritou no mesmo instante. Esta cena foi filmada e mantida no filme (o diretor Friedkin era um sádico).
Em uma entrevista que pode ser vista no documentário, Jason Miller afirmou que teve um grande confronto verbal com William Friedkin depois que o diretor disparou uma arma perto de sua orelha para obter uma reação autêntica dele. Ele disse a Friedkin que é ator e que não precisava de uma arma para agir surpreso ou assustado.
Bastidores precisando ser benzidos...
No filme, o personagem do ator Jack MacGowran é o primeiro a morrer, despencando de uma tenebrosa escadaria. Uma semana após terminar de gravar MacGowran morreu mesmo. Dizem que vítima de pneumonia. Será?
Muitas "tragédias" ocorreram com o "amigo do amigo do amigo". O ator Max von Sydow, o padre Merrin, mal começou a gravar quando soube que seu irmão havia morrido. A esposa grávida de um assistente de câmera perdeu o bebê. E por aí vai...
A equipe técnica sofreu horrores durante a produção. O homem que refrigerava o quarto onde aconteceram as cenas de possessão morreu de maneira inexplicável. Um vigia noturno que cuidava dos cenários foi morto a tiros durante uma madrugada. Um carpinteiro cortou o polegar fora. Outro serrou o dedão do pé. Imprudência no trabalho? Não, culpa do diabo...
O set onde foi rodado a maior parte das cenas do longa pegou fogo no meio das filmagens. O único lugar que ficou intacto foi o quarto da menina possuída, Regan. Além disso, a casa onde filmavam as externas do longa, bem próxima às famosas escadas de Georgetown, demorou mais de 30 anos para ser alugada, dado ao medo dos inquilinos.
Eventualmente, o diretor William Friedkin consultava o Reverendo Thomas Birmingham sobre a possibilidade de exorcizar o set de filmagens. Em todas as vezes, o reverendo recusou o pedido, dizendo que isto causaria ainda mais ansiedade no elenco. Mas por diversas vezes, ele visitou os sets para benzê-los e tranqüilizar o elenco.
O elenco e a produção
A atriz Ellen Burstyn aceitou atuar no filme estabelecendo uma única condição: que sua personagem não dissesse a frase "I believe in the devil!" ("Eu acredito no demônio!"), contida no roteiro original. Os produtores atenderam ao pedido e esta frase foi retirada da história.
Inicialmente, a voz do demônio seria da própria Linda Blair. Entretanto, após 150 horas de trabalho em cima do som do filme, o diretor resolveu substituí-la pela voz de Mercedes McCambridge que, para fazer a voz do demônio, comeu ovos crus, tomou muito álcool e fumou diversos cigarros (o que foi um prazer pra ela).
Para fazer Max von Sydow parecer muito mais velho do que seus 44 anos, o maquiador Dick Smith aplicou quantidades generosas de pontilhado na testa, olhos e pescoço de von Sydow. Sua pele facial foi então esticada manualmente enquanto o látex líquido era aplicado. Quando o látex secou, sua pele esticada foi liberada, fazendo com que o filme de borracha enrugasse. Esse procedimento diário de maquiagem durou três horas.
Uma das cenas mais famosas do filme, quando o padre Merrin sai de um táxi e fica na frente da residência dos MacNeil foi inspirada na série de pinturas "Império da Luz" de 1953-1954 ("L'Empire des Lumières") de René Magritte.
Já na sequência em que as palavras "me ajude" surgem do torso de Regan, o efeito foi alcançado construindo uma réplica de espuma de látex da barriga da atriz Linda Blair, escrevendo as palavras com um pincel e fluido de limpeza, depois filmando as palavras como eles se formaram a partir da reação química. O técnico de efeitos especiais Dick Smith então aqueceu as bolhas em formação com um secador, fazendo com que elas esvaziassem. Quando a filmagem foi rodado para trás, parecia que as palavras estavam saindo da pele da jovem Regan.
William Friedkin teve que levar uma equipe totalmente britânica para filmar no Iraque porque os EUA não tinham relações diplomáticas com o Iraque naquela época. Eles foram autorizados a filmar perto de edifícios antigos e escavações arqueológicas reais em condições que incluíam ensinar aos cineastas iraquianos técnicas avançadas de cinema, bem como fazer sangue falso.
A cena mais perturbadora para a maioria dos espectadores foi a de Regan fazendo uma arteriografia (o primeiro teste que ela fez no hospital). William Friedkin, atribui isso ao fato de que o procedimento em si parecia muito realista, o homem que interpretou o médico era um neurocirurgião real na vida real e que Linda Blair era tão crível quanto uma menina jovem e assustada passando por um procedimento invasivo e assustador. E para tornar esta cena mais aterrorizante, há um futuro serial killer real nela.
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Paul Bateson (técnico de raios-X de profissão) é um dos radiologistas presentes durante a cena, e vários anos depois ele foi condenado pelo assassinato do crítico de cinema Addison Verill. Bateson se tornou o principal suspeito no que ficou conhecido como "o saco de assassinatos" realizados de 1977 a 1978, nos quais seis vítimas do sexo masculino foram mutiladas e desmembradas, seus restos mortais embrulhados em sacos plásticos pretos e jogados no rio Hudson. Alguns dos horríveis fragmentos chegaram à costa de Nova Jersey, outros chegando perto do World Trade Center. Esses assassinatos foram a inspiração para outro filme de William Friedkins, "Parceiros da Noite", estrelado por Al Pacino.
Curioso que em cima desta história, a outra, dando dúvida quanto ao verdadeiro autor dos crimes posteriores. O assassino confesso da morte do jornalista sempre negou ser o tal serial killer. E o que vou dizer vai ser bem tendencioso, mas o fato é que ele só confessou para o diretor, numa visita à prisão. E com este merchan grátis, o diretor fez seu novo filme. A polícia nunca estabeleceu ligação de Paul com os crimes.
A residência real em Georgetown que é usada para as fotos externas tem um pátio bastante grande entre ela e os infames degraus. A janela que leva ao quarto de Regan fica a pelo menos 12 metros do topo da escada. Essa distância tornaria impossível para qualquer pessoa "jogada" da janela realmente pousar nos degraus. No filme, os cenógrafos colocaram uma ala falsa na casa, para que a suposta janela de Regan ficasse de fato perto da escadaria infame. Hoje o local está relativamente diferente.
E por fim, a substância que a possuída Regan (Linda Blair) arremessa no padre Damien Karras (Jason Miller) é uma sopa de ervilha grossa. Especificamente, é a sopa de ervilha da marca Andersen.
Bateu na trave, ufa!
O ótimo diretor John Boorman chegou a se oferecer para dirigir O Exorcista, mas posteriormente desistiu do projeto, por considerar a história cruel demais. Ele, entretanto, aceitou dirigir O Exorcista II - O Herege (1977), lançado quatro anos depois...
E pensar que o estúdio queria Marlon Brando para o papel do padre Merrin e Jack Nicholson para o papel do padre Karras. William Friedkin vetou o primeiro e quanto a Jack, ele achava que o ator muito profano para interpretar um padre.
Ou seja, num universo paralelo, pode existir O Exorcista, dirigido por John Boorman, com Brando e Nicholson.
O horror, o horror, diria a platéia...
🔷O Exorcista II - O herege (1977)
O Exorcista II poderia ser ótimo, ainda assim, roubaria o final do filme anterior caso a ótima história também continuasse a história de Regan. A ideia de que os dois padres morreram em vão, não soa só desesperançosa, mas se para o bem ou para o mal, o final apresentado dá um final feliz para o caso de Regan, que veio pelo sacrifício de dois padres, o segundo filme mostra que o caso será uma eterna porta aberta, caso o demônio resolva voltar.
Não estou sentenciando o filme ou roteirista por algo que em teoria ele tem razão. O próprio padre vivido por Richard Burton, a certa altura, diz que Satã é um ser espiritual, ou seja, como evitar que ele volte? Como fechar esta porta? Não há meios conhecidos, afinal.
Explorar os eventos ocorridos com a menina seria de fato interessante. Mas reforçando o drama do primeiro seria a saída mais interessante, ao invés de iniciar uma repetição de equívocos que durariam décadas: a necessidade de colocar um exorcista na trama. O caso mais pontual ocorreu no terceiro filme, que lerá a seguir.
Na trama, anos depois de ter sido libertada pelas forças do mal, a jovem Regan (Linda Blair) volta a ouvir vozes e ter delírios. Com a ajuda de uma psicanalista, ela tenta se curar, mas só mesmo com uma sessão de exorcismo que poderá afastar de vez o demônio. Ao mesmo tempo, um padre investiga a morte dO Exorcista que ajudou a menina durante o seu primeiro surto.
Após uma rápida cena que mostra a atuação do padre Phillip, se inicia uma longa sequência de hipnose, que parece interminável. A sofisticação da direção e frieza buscada pela direção de fotografia dá lugar a cores, chamas, tambores, música. Todo o desconforto trazido por Friedkin para nossas vidas dá lugar a um filme de horror com bom orçamento, mas com cara de filme B. Eu amo filme B, mas estamos falando de O Exorcista, não Ghoulies ou Criaturas.
O elenco original e a equipe do primeiro filme se opuseram muito a uma sequência. William Friedkin e William Peter Blatty chegaram a se reunir para discutir ideias em determinado momento, mas quando não conseguiram desenvolver uma premissa adequada, abandonaram o projeto. Tanto Linda Blair quanto Ellen Burstyn recusaram repetidas ofertas do estúdio, embora Blair tenha concordado em retornar quando apresentada com o que ela considerava um bom roteiro.
No entanto, de acordo com Blair, devido a várias reescritas, o roteiro acabou uma bagunça total. A essa altura, no entanto, ela estava contratualmente vinculada a uma sequência e incapaz de desistir do projeto. Porém, a atriz recusou-se a utilizar a pesada maquiagem que teve que usar em O Exorcista. Nas cenas de flashback, a Regan possuída era, na verdade, uma dublê sob a maquiagem.
Por causa de sua semelhança com Ellen Burstyn, Louise Fletcher foi originalmente escalada como Chris MacNeil quando Burstyn se recusou a reprisar seu papel. Fletcher acabou sendo escalada como Dr. Gene Tuskin, um papel originalmente escrito para um homem. Kitty Winn foi contatada para reprisar seu papel como a babá de Regan, Sharon Spencer, para preencher para a mãe de Regan.
No meio da produção, o diretor John Boorman foi atingido por um raro fungo tropical e teve que se afastar do filme durante um tempo. Linda Blair disse em uma entrevista que Rospo Pallenberg dirigiu grande parte das cenas, além de reescrever o roteiro. Pallenberg foi creditado como o diretor da segunda unidade e um "associado criativo".
Em uma entrevista de 2005, John Boorman comentou: "Tudo se resume às expectativas do público. O filme que eu fiz, eu vi como uma espécie de resposta à frieza e escuridão de O Exorcista (1973). O filme em si, eu acho, é interessante, há um bom trabalho nele, mas quando eles vieram até mim com ele, eu disse a John Calley, que dirigia a Warner Bros. na época, que eu não queria. "Olha", eu disse, "eu tenho filhas, não quero fazer um filme sobre torturar uma criança", que é como eu vi o filme original.
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Embora seja muitas vezes considerado como uma das piores sequências já feitas e um dos piores filmes já feitos em geral, é uma produção que sempre atrai atenção de curiosos. Revendo hoje, com bastante carinho e entusiasmo, o filme é um fraco filme B e um "O Exorcista" ruim. Há várias sequências mal cortadas e um final que é uma completa bagunça narrativa, com acidentes, prédios caindo, possessões estranhas, enfim, parece que cada roteirista escreveu 10 minutos e filmou. Depois veio o editor, juntou e pronto.
Eu sempre digo que gosto de indicar qualquer filme, pois a percepção de uma obra é pessoal e depende de uma conjugação de fatores gigantesca da vida de cada um. Portanto, quem quiser assistir O Exorcista II, que veja. E se gostou, que ótimo. O cinema é isso. Individual.
E depois que descobri nas minhas pesquisas que Martin Scorsese gostou demais deste O Exorcista II, percebi como é importante respeitar as opiniões. Concordar é outro papo. Até porque, o mesmo Scorsese disse que a Marvel não faz cinema e que os filmes não tem emoção.
Como Nerd, uma das maiores emoções que senti no cinema foi em duas sequências específicas de Vinhadores: Ultimato. E isso aconteceu com milhares de pessoas. Scorsese, portanto estava errado? Do ponto de vista dele, não.
🔷O Exorcista III (1990)
OK. A única vez na minha vida que tomei um susto no cinema, de quase cair da cadeira, foi na cena em que a estátua aparece repentinamente neste filme. Na época, com 14 anos, eu não tinha qualquer sinal de maturidade cinéfila, muito menos malícia para "jump scares", então pode ter sido fruto da inexperiência. Mesmo assim, O Exorcista III me marcou bastante. Hoje vou revê-lo com a lembrança de ter sido o segundo melhor da franquia (afinal, teria outra opção?), mas com poucas memórias do filme em si.
Na trama, o tenente Kinderman (George C. Scott) e o Padre Dyer (Ed Flanders) tentam lidar com a morte de seu amigo em comum, o Padre Damien, porém, um assassino está a solta. O tenente da polícia investiga uma série de assassinatos envolvendo tortura, decapitação e profanação religiosa. Kinderman descobre que as mortes têm semelhança com as praticadas pelo serial killer "Gemini" (Brad Dourif), um homem que morreu há quinze anos.
O roteirista e diretor de O Exorcista III, William Peter Blatty, é o autor do livro que deu origem a O Exorcista, em 1973, o que deu credibilidade ao filme. Blatty fez o filme baseado em seu romance "Legion", que foi publicado em 1983. A Morgan Creek decidiu chamá-lo de "O Exorcista III: Legião", embora o roteiro e o romance não apresentassem nenhum tipo de exorcismo.
Depois que a filmagem principal foi concluída, a natureza enganosa do título foi notada, e os produtores determinaram que cenas adicionais precisavam ser escritas e depois adicionadas ao filme para torná-lo uma sequência mais reconhecível de O Exorcista (1973). O último terço do filme teve que ser totalmente refeito, com a inserção de um novo personagem, e de uma cena de exorcismo que custou quase quatro milhões de dólares.
Assistindo hoje, com esta informação, o filme todo tem um bom clima investigativo e a decisão de incluir o final foi totalmente equivovada. Palmas para o estúdio que errou feio. A inclusão do padre Morning (Nicol Williamson) foi ridícula. Ele entra e sai de cena sem a menor força de vontade de resolver algo.
Blatty esperava recuperar as imagens deletadas dos cofres de Morgan Creek, para que ele pudesse remontar o corte original do filme, que ele disse ser "bastante diferente" do que foi lançado. Infelizmente para Blatty e para os fãs que clamavam por tal lançamento, a filmagem foi perdida. No entanto, a filmagem perdida foi finalmente encontrada em 2016, e a versão original de Blatty foi restaurada pouco antes de sua morte no ano seguinte, em 2017.
Tempos depois, Blatty criticou o final, chamando de "desnecessário, e que alterava o foco do filme". E ainda disse que o clímax era um "frenesi de efeitos especiais". Ele foi forçado a se envolver neste novo final e elogiá-lo na época. É por isto que muitos filmes independentes dão certo...
Brad Dourif se manifestou sobre o assunto: "Todos nós nos sentimos muito mal com isso. Mas Blatty tentou fazer o seu melhor em circunstâncias muito difíceis. E eu me lembro de George C. Scott dizendo que as pessoas só ficariam satisfeitas se Madonna aparecesse e cantasse uma música no final!" Dourif disse que "A versão original era muito mais pura, e eu gostei muito mais. Do jeito que está agora, é um filme medíocre. Há partes que não têm o direito de estar lá".
Um detalhe curioso: William Peter Blatty teve que reformular o papel central do tenente Kinderman, como Lee J. Cobb , que desempenhou o papel em O Exorcista (1973), morreu em 1976.
No mesmo ano foi lançado A Repossuída (1990), paródia de O Exorcista (1973) estrelado por Linda Blair. A 20th Century Fox e a Morgan Creek temiam que a comédia saísse primeiro e arruinasse as chances de alguém levar esse filme a sério. De acordo com Blair, O Exorcista III foi lançado às pressas antes de A Repossuída (1990), sequestrando a publicidade deste último e forçando a comédia a ser lançada um mês depois do originalmente planejado.
🔷O Exorcista - o início (2004)
Cairo, Egito, 1949. O arqueólogo Lankester Merrin (Stellan Skarsgard), um ex-padre (pois perdeu a fé quando ainda era sacerdote durante a 2ª Guerra Mundial e teve de escolher 10 pessoas para serem executadas, senão todos seriam mortas, e estas lembranças o atormentam sempre), recebe de Semelier (Ben Cross), um colecionador de antigüidades, a missão de ir a uma escavação promovida pelo governo inglês na região de Turkana, Quênia, e recuperar um objeto que estaria junto a uma igreja cristã bizantina do século V. O local estava sendo escavado pelo questionamento do que uma igreja faria num lugar onde ainda não chegara o cristianismo.
Chegando ao local, Merrin é recebido por Francis (James D'Arcy), um padre, e Chuma (Andrew French), um nativo, e é apresentado a outros que também participam da escavação, como Jeffries (Alan Ford), que possui o rosto desfigurado, mas almeja o amor de Sarah Novak (Izabella Scorupco), uma médica que cuida dos nativos. Merrin constata que a igreja está inexplicavelmente intacta, como se tivesse sido soterrada no dia em que foi concluída. Pela cúpula, Merrin e Francis entram na igreja, se deparando com esculturas de soldados com as armas voltadas para baixo e um crucifixo com o Cristo também com a cabeça para baixo, o que é uma profanação.
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Durante a escavação, fatos mórbidos surpreendentemente acontecem, como a dilaceração por hienas de James (James Bellamy), o filho de um nativo. Entretanto Joseph (Remy Sweeney), o irmão mais novo, saiu ileso, pois as hienas agiram como se ele nem estivesse ali. Merrin fica sabendo que os nativos crêem que aquele lugar é amaldiçoado e pergunta a Sarah informações maiores sobre o que estava acontecendo. Ela diz que o chefe da escavação, Bession (Patrick O'Kane), enlouquecera e estava num sanatório em Nairobi. Merrin acha na tenda abandonada por Bession vários desenhos do que ele vira durante a escavação na igreja.
Em Nairobi Merrin encontra Bession no hospício, porém este se mata na sua frente e diz "Deus não está mais aqui, padre", a mesma frase que ele já ouvira de um oficial nazista quando foi obrigado a fazer uma terrível escolha. Conversando com o padre Gionetti (David Bradley), o diretor do sanatório, Merrin descobre que onde a igreja fora erguida havia um templo de sacrifícios humanos e que houvera, há 1500 anos atrás, um massacre liderado por um padre, em que uma série de possessões aconteceram e diversos exorcistas tentaram suprimir o mal, mas este ainda permanecia no local. Gionetti pede a Merrin para fazer um exorcismo, mas ele nega dizendo não ser mais padre. Mesmo assim ele lhe dá um livro de exorcismo, sendo que Merrin não imaginaria como este presente lhe seria útil.
O início
O projeto de rodar mais um filme da série O Exorcista veio à tona quando o filme original foi relançado nos cinemas com grande sucesso, em 2000. Eu estava na ocasião e assisti atônito, à inserção patética de efeitos especiais feita (por George Lucas..... ????) pelo próprio diretor original, talvez inspirado nas mesmas atitudes de diretores de sua época, que resolveram adicionar novos efeitos a alguns de seus clássicos e relançá-los, como Guerra nas Estrelas e E.T.
Inicialmente, o diretor de O Exorcista - O Início seria John Frankenheimer, que abandonou o projeto um mês antes de falecer, ainda antes do início das filmagens. O diretor Paul Schrader foi demitido pela Morgan Creek Productions após a conclusão das filmagens, por ter entregue um filme que, segundo ele, era um drama psicológico e não um filme de terror. Em seu lugar, o estúdio contratou Renny Harlin, que rodou novamente cerca de 90% das cenas do filme, além de retirar dois personagens da versão que Schrader havia feito. As cenas extras rodadas por Harlin custaram mais US$ 8 milhões aos produtores.
Trocar um diretor denso, que foi roteirista de Taxi Driver – Motorista de Táxi por Renny Harlin, conhecido realizador de filmes de ação me pareceu tão errado quando colocar Tim Burton para dirigir um remake de Footloose, por exemplo. A cabeça funde só de pensar que eles tentaram corrigir um erro com outro, achando que isto renderia frutos positivos.
Tanto William Peter Blatty quanto Paul Schrader quase foram expulsos da estreia deste filme por rirem alto durante a exibição. Blatty disse na época que assisti-lo foi sua "experiência profissional mais humilhante". Na realidade, a cena do ataque das hienas aos 31 minutos é um completo desastre. Dos efeitos à atuação do menino, passando pelo tiro Merrin, que lembra alguns dos piores momentos da evolução dos efeitos especiais daqueles anos, cortesia da Meteor Studios.
Quando a Morgan Creek contratou Harlin, ele disse que a versão de Paul Schrader era uma porcaria completa, irrecuperável, e sem qualquer intenção de realmente assinar o projeto, opinando que seria melhor re-filmar do zero. Para sua surpresa, James G. Robinson, CEO da Morgan, concordou com isso e ofereceu a Harlin um orçamento e um salário ainda maiores do que haviam dado a Schrader. Harlin aceitou a oferta e reescreveu o roteiro ao lado de Alexi Hawley.
No entanto, o trailer usado para a versão refeita de Harlin é composto de imagens do corte original de Schrader. Então, bizarramente, o estúdio gastou milhões de dólares em um filme completamente novo, mas nunca se deu ao trabalho de mudar o trailer. Estagiários...
O ator Gabriel Mann, que interpretou o padre Francis na versão original, não conseguiu refilmar suas cenas devido a problemas de agenda, então o novo diretor Renny Harlin o substituiu por James D'Arcy .
Visto hoje sem a repulsa da época, a produção não me pareceu tão horrível, se assemelhando a obras do gênero da época como Stigmata, Fim dos Dias e Dominação. Para quem reclama do volume de enlatados de horror lançados, este filme é na pior das hipóteses, um assunto para discutir.
🔷Domínio: Prequela de O Exorcista (2005, mas filmado entre 2002 e 2003)
Um ano depois, o "Snyder cut" chegou aos cinemas com o objetivo de....bom, não sei. Recuperar o dinheiro gasto? Reparar o erro com Paul Schrader? Fornecer ao público a opção de escolher qual filme odiar mais? Alias, antes mesmo de começar o filme, há um erro infantil, entrando o logo com o tema heróico da Morgan Creek, absolutamente fora de tom. Bastava colocar uma música sombria para entrar no clima.
Na trama, Merrin teve um ano sabático da Igreja e dedica-se à arqueologia. Ele é assombrado por um incidente na pequena aldeia na Holanda ocupada durante a Segunda Guerra Mundial, onde atuou como pároco. Perto do fim da guerra, um sádico comandante da SS nazista, em retaliação pelo assassinato de um soldado alemão, força Merrin para participar de execuções arbitrárias.
Anos depois, na África Oriental, Merrin (Stellan Skarsgård), ajuda a escavar uma igreja cristã do século V. O jovem padre Francis (Gabriel Mann) supervisiona o trabalho, a pedido do Vaticano. O motivo é que a construção antiga, em tese, não poderia existir, já que os cristãos ainda não haviam chegado àquele ponto remoto da África, no período de origem da construção.
Quando entra no local, Merrin descobre coisas ainda mais estranhas. A perfeita conservação do lugar dá a impressão de que a igreja teria sido enterrada logo após a construção, algo que lhe parece incompreensível. Além disso, as pinturas nas paredes descrevem cenas de uma violência indescritível, e as estátuas parecem adorar algo que está sob o chão, quando ídolos cristãos normais devem ficar voltados para o céu.
E o troféu "Parabéns, muito ruim" vai para a primeira aparição das hienas, que consegue ser 10 vezes pior que versão anterior. Nem filme caseiro era daquele patamar, basta lembrar que Jurassic Park foi de 1994.
Assistindo aos dois filmes em sequência percebi uma diferença interessante. Enquanto escavam, o diretor de fotografia deu um tom bem parecido com as cenas iniciais do filme original. Já no Harlin's cut , as mesmas cenas são modificadas, se aproximando bastante da paleta de cores de Drácula de Bram Stoker, que revi dias atrás.
O filme é um erro, mas um erro honesto. E tal como aconteceu em Liga da Justiça, a emenda de Joss Whedon (que curiosamente, mudou cenas aplicando filtros como o filme de Harlin) ficou pior, e Domínio ganhou terreno após lançado. Ao contrário do que se pensava o filme não manchou a carreira do diretor, que apesar de irregular, mantém certo nível de densidade.
Curiosamente, o filme bebe numa fonte diferente do original, Nele você encontra elementos de filmes como Zulu, Colina dos Homens Perdidos e mesmo obras de Zurlini. Ele também foca muito na desconstrução emocional de Merrin, largando mão dos sustos gratuitos constantes na versão anterior.
A diferença mais significativa, ao final, e troca integral do núcleo envolvendo a possessão da criança por um jovem adulto. Para o bem e para o mal, faz total diferença no resultado.
🔷O Exorcista (2016 - 2018)
Quando iniciei a série, imaginei que ela seria um remake do original ou contaria o caso real que inspirou o filme. Mas para minha surpresa, no primeiro episódio, há uma referência às mortes do filme clássico, mostrando que estão no mesmo universo, ainda que não haja sinal de que é uma continuação direta até este momento (escrevo enquanto assisto).
Na trama, Tomás Ortega (Alfonso Herrera) é um padre progressista, ambicioso e compreensivo, que coordena uma pequena paróquia localizada no subúrbio de Chicago. Já o padre Marcus Keane (Ben Daniels) trabalha num dos bairros mais pobres da Cidade do México, sendo completamente obcecado por sua missão religiosa. Ambos se encontram quando precisam lidar com o caso de possessão demoníaca que aflige a família Rance, que integra a paródia do padre Tomás. Desesperada com a situação de sua filha Katherine (Brianne Howey), Angela (Geena Davis) procura a ajuda dos padres. Por mais que eles tenham grandes diferenças de comportamento, precisam unir forças para enfrentar o maior desafio de suas vidas.
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O projeto foi originalmente concebido como uma reinicialização cinematográfica da série de filmes que começou com O Exorcista (1973), até que a ideia foi reformulada como uma sequência. O primeiro episódio inclusive termina com a icônica "Tubular Bells", tema inesquecível do clássico. Curioso que ainda que seja canônico, ele ignora as sequências do filme.
A série faz um upgrade, bebendo na fonte de sucessos como Filha do Mal, principalmente na movimentação dos endemoniados. De certa forma, comunga da mesma fonte dos filmes de zumbis, que também sofreram upgrade, tornando-os mais dinâmicos e velozes, tentando acompanhar a juventude atual.
Nos últimos anos, as séries de TV viveram uma evolução, não só pelos espetaculares elencos, mas em sua forma. As séries de mais de vinte episódios foram dando lugar a histórias mais enxutas, chegando aos 13 episódios. O Exorcista é da geração de 10 episódios, que vistos de hoje, é fácil entender o motivo da tendência em chegar a 6 ou 7 episódios como padrão, já que há muitos momentos sem necessidade alguma. Mesmo curtindo muito o tom da série, deu certa agonia imaginar que eu tinha 10 episódios para finalizar uma ideia que se resolveria em 6.
E para finalizar, uma curiosidade: Angela Rance, personagem de Geena Davis , é um anagrama para 'A clean Regan', uma alusão ao fato de que ela ficou livre do demônio. A esta altura, já fica evidente que ela é Regan MacNeil, a garota possuída no filme original de 1973.
Segundo tempo
A grata surpresa da primeira temporada foi ela continuar a história de Regan, personagem que nos afeiçoamos décadas atrás e ainda foi vivida por Gena Davis, rosto conhecido e que provoca empatia imediata. Em paralelo, a série mostrou a conspiração para matar o Papa e foi delineando os personagens dos exorcistas, um outsider, que chega a usar uma arma durante um exorcismo; e um padre garotão, tipo um ex Top Gun que foi para a série Riverdale.
A segunda temporada aprofunda a história da dupla de padres Marcus e Thomas, numa mistura de "on the run" com "road movie", continua a trama conspiratória e introduz uma nova família, com novos rostos conhecidos como John Cho (Andy). Curioso como colocar o nome "O Exorcista" nos filmes ou na série, gera um peso em cima dos personagens que ao longo do tempo, descaracteriza o universo que imaginamos.
Isto acontece fortemente no terceiro filme, quando nem exorcismos veríamos na trama se não fosse pela pressão do estúdio. Nesta segunda temporada, as várias histórias interessantes se fundem na necessidade de tornar o título próximo do que o público espera. Algo assim aconteceu com a ótima série O livro de Boba Fett. Como ela veio no lugar da terceira do Mandaloriano, o publico esperava que ela tivesse um foco. Mas quando Mando apareceu, ela mudou de foco e terminou parecendo a terceira do Mandaloriano.
Este é o grande problema dos títulos. Talvez "O Exorcista" tivesse melhor sorte sendo uma antologia, como histórias completamente diferentes. Curioso que o final da segunda remete ao "O Exorcista III", dando a entender uma terceira temporada iria contar a história do terceiro filme. Porém, ele acabou não acontecendo.
Ainda assim, é a típica série que agrada os fãs e uma nova geração que não viveu os efeitos traumáticos causados pelo filme original.
🔷O Exorcista - O Devoto (2023)
Parecia improvável, mas após uma série canônica, onde a própria Regan volta à cena, um filme também canônico foi lançado. E logo no início, uma referência ao clássico, mostrando dois cães brigando, como se aquilo fosse resultado de um ódio insurgindo. Na sequência, um terremoto ocorre, como se a terra rachasse para o próprio diabo vir das profundezas.
Na trama, desde a morte de sua esposa grávida em um terremoto no Haiti, há 12 anos, Victor Fielding tem criado sua filha Angela sozinho. Mas quando Angela e sua amiga Katherine desaparecem na floresta e retornam três dias depois sem memória do que aconteceu com elas, isso desencadeia uma série de eventos que obrigará Victor a confrontar o mal e, em seu terror e desespero, buscar a única pessoa viva que testemunhou algo parecido antes: Chris MacNeil.
O diretor David Gordon Green usa e abusa dos cortes secos com sons estranhos ou impactantes, algo que funcionou com maestria no clássico de Friedkin. Mas como sabemos, Green, que fez um ótimo trabalho em Halloween (2018) que resgata o clássico de 1978, errou nas continuações, e acredito que nem foi por cair no lugar-comum, mas por não saber ser diferenciado a ponto de expandir aquele universo em três filmes.
Green foi provavelmente escolhido pelo trabalho no primeiro Halloween, mas o plano para este novo capítulo do Exorcista é ser uma trilogia. Então contratá-lo, não parece uma grande ideia. E se pensarmos no todo, Friedkin era um diretor estilo clássico, enquanto Green fez um ótimo slasher, e são dois estilos que não dão match.
Friedkin, aliás, faleceu em 7 de agosto de 2023 E sobre o seu falecimento, o escritor e crítico de cinema Ed Whitfield postou no Twitter(X) e no Facebook: "William Friedkin uma vez me disse: ''Ed, o cara que fez aquelas novas sequências de Halloween está prestes a fazer uma para o meu filme, O Exorcista. Isso mesmo, meu filme exclusivo está prestes a ser estendido pelo homem que fez Segurando as Pontas (Pineapple Express). Não quero estar por perto quando isso acontecer. Mas se houver um mundo espiritual e eu puder voltar, planejo possuir David Gordon Green e tornar sua vida um inferno''.
Ellen Burstyn recusou reprisar seu papel e recebeu o dobro do salário. Burstyn pensou: “Sinto que o diabo está perguntando meu preço”. Ela finalmente aceitou, usando o salário para financiar uma bolsa de estudos do MFA para atores na Pace University, onde o Actors Studio ministra o programa. Burstyn é membro vitalício do Actors Studio e copresidente.
Blumhouse gastou uma fortuna para garantir os direitos de filmagem e ainda por cima teve que garantir uma trilogia. Mesmo que O Devoto fracasse nas bilheterias, os próximos dois filmes ainda precisam ser feitos. E o filme foi, de fato, um fracasso.
Embora o nome do demônio não seja revelado no filme (assim como Pazuzu não foi nomeado oficialmente nos filmes Exorcistas até O Exorcista II: O Herege (1977), e embora William Peter Blatty o tenha identificado no romance), os créditos finais o identificam como Lamashtu. Na mitologia mesopotâmica, Lamashtu é uma figura demoníaca que ataca mulheres grávidas durante o parto para se alimentar de recém-nascidos. Seu inimigo jurado não é outro senão Pazuzu, que, apesar de ser um portador da fome, pode ser invocado para proteger contra Lamashtu.
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O retorno das personagens principais do clássico sugeriu algo além do fan service. O roteiro possibilitou que duas linhas do tempo se fundissem, como acontece em Jurassic World: Domínio (2022). O diretor busca esta fusão de muitas formas, como na maquiagem que a menina usa quando esfaqueia Lorraine Warren, ou melhor, Chris Macneil (Ellen Burstyn) ou quando Victor luta boxe com Stuart na academia em algumas cenas, tal como no primeiro filme, onde o padre Damien Karras (Jason Miller) também foi visto lutando boxe em academias.
Mas no final, ficou só no fan service.
E podemos dizer que, sem spoiler, a melhor coisa do filme é justamente quando termina. Mas infelizmente, são 5 segundos que não jus.
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